Durante mais de um ano, o músico e motorista de aplicativo Rubem da Mota Duarte (23) precisou usar a tornozeleira eletrônica. Foram exatos 18 meses. Ele era investigado pelo crime em que ele mesmo foi vítima. Trabalhando pelo serviço de transporte, recebeu uma ordem de parada de agentes de segurança. Os passageiros sacaram armas e mandaram ele não obedecer. O grupo conseguiu fugir, mas o homem foi baleado e preso.
“Após ser atingido, me levaram pro hospital pra fazer a remoção da bala e, em seguida, me levaram para Delegacia. Meu carro ficou no mesmo canto, todo cheio de marca de bala. Lá na delegacia, me interrogaram e fiquei preso na cela. Agora imagine a cena: uma cela que cabe quatro a cinco pessoas, mas tinham 12 presos, eu recém-baleado, com a ferida aberta e sem saber o que aconteceria em seguida”. Preso no domingo, 14 de janeiro de 2018, Rubem teve que aguardar cinco dias para a audiência de custódia.
Para o defensor público Delano Benevides, que acompanhou o motorista, o caso foi "uma ação fracassada da Polícia". Na audiência em que o Ministério Público pedia a prisão preventiva do músico, a Defensoria se manifestou contra. "Estaríamos jogando um jovem trabalhador em um ambiente hostil e, eventualmente, poderíamos estar fornecendo mão de obra gratuita para as facções criminosas. Felizmente, a juíza Adriana da Cruz Dantas, da 17a Vara Criminal, de forma sensível e humana, colocou ele para responder o processo em liberdade”. A decisão da juíza determinou que Rubem permanecesse com a tornozeleira eletrônica por seis meses, além “recolhimento domiciliar das 22 às 06 horas, salvo para exercer atividade laboral lícita”.
