As queimadas na Amazônia, ganharam destaque mundial neste mês após dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam o crescimento de 82% em relação ao ano de 2018. Porém, entre o centro e o sul da África, na altura da República Democrática do Congo, Zâmbia e países vizinhos, as queimadas também têm sido uma constante, abrangendo uma extensa área desta região africana. E isto acabou impactando no norte do Ceará. Na última semana, em Fortaleza, o céu se apresentou menos límpido e com visibilidade horizontal reduzida.
De acordo com o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) Raul Fritz, o que vem acontecendo é que parte da fumaça, material particulado e gases provenientes das queimadas que estão ocorrendo na África estão conseguindo cruzar o oceano Atlântico Sul, chegando ao no litoral cearense, incluindo Fortaleza.
“Usando informações provenientes do Serviço de Monitoramento da Atmosfera pelo Programa Copernicus (CAMS), foi possível comprovar que aerossóis (partículas sólidas suspensas na atmosfera) resultantes da queima de biomassa na África estavam, em determinados momentos, conseguindo chegar no Ceará, principalmente no norte do estado”, explica o pesquisador.
Fritz salienta ainda que, no norte da região Nordeste, os aerossóis têm chegado em menor concentração em virtude da longa distância percorrida, porém numa forma suficiente para produzir alterações na visibilidade e cor do céu, notadamente próximo ao pôr-do-sol.
Diferente do que se observa em relação ao continente africano, as partículas geradas pelas queimadas na Amazônia não chegam ao Ceará devido à circulação dos ventos. “Ela [circulação] teria que ser contrária a que se apresenta atualmente. Já da África, a gente vê o movimento deles [aerossóis] se dá em nossa direção, ou seja, com propagação de leste para oeste”, finaliza o meteorologista da Funceme.
Mais dados
Apesar de apresentar casos menores em relação aos estado da região Norte do Brasil, o Ceará já registrou, este ano, 337 focos de queimadas este ano. De acordo com o Inpe, os picos no estado acontecem outubro e dezembro, quando as médias são maiores que mil. Em 2018, foram detectados 3034 focos no Ceará.
Apesar de apresentar casos menores em relação aos estado da região Norte do Brasil, o Ceará já registrou, este ano, 337 focos de queimadas este ano. De acordo com o Inpe, os picos no estado acontecem outubro e dezembro, quando as médias são maiores que mil. Em 2018, foram detectados 3034 focos no Ceará.
Via Cnews
