Dois meses após o assassinato brutal da universitária Danielle de Oliveira Silva (20), em Pedra Branca, 261 km de Fortaleza, o principal suspeito está foragido e o clima no município é de apreensão. Joelma de Oliveira, mãe da vítima, falou pela primeira vez sobre o assunto, em reportagem exclusiva do Jornal da Cidade. Como um mantra, a familiar repetia várias vezes que precisava ser forte e ressaltava as qualidades da filha.
"A Daniele era uma moça maravilhosa. Uma boa filha, uma boa amiga. Uma moça trabalhadeira. Uma moça que Deus me deu de presente por vinte anos, mas foi um presente muito abençoado", conta Joelma.
Daniele era conhecida em Pedra Branca pela disposição para ajudar. O exemplo, aprendeu com a família. Mas foi exatamente a boa fé e a vontade de ajudar da família Oliveira, que aproximou a jovem de quem viria a ser o principal suspeito de seu assassinato. O homem de identidade incerta se apresentou como "Zé do Valério" e os pais da vítima lhe deram a possibilidade de trabalhar no sítio deles. "Estava com seis anos que a gente conhecia ele. Mas estava com três anos que ele não estava mais com a gente. Mas sempre nos fins de semana, aos domingos, ele estava lá em casa. E quando ficava no sítio, passava o dia com a gente e era uma pessoa normal. A gente nunca desconfiou de nada. Hoje eu vejo ele como um psicopata", diz a mãe
José Pereira da Costa, conhecido como "Zé do Valério" nunca levantou qualquer suspeita em Pedra Branca. No município, sempre foi descrito como um homem de personalidade reservada, sem muita conversa. "Foi um impacto. Ninguém nunca esperava", diz Emanuel Lima, morador da Pedra Branca.
O jeito de “bicho do mato” era percebido por Joelma de Oliveira, mas nunca levantou suspeitas. Agora é justamente esse grande conhecimento que o vaqueiro tem da região, que mais atrapalha a caçada. "Todo mundo comenta um perfil muito simples dele [Zé do Valério], que ele era extremamente trabalhador. E uma outra coisa que também nos chama muita atenção é que todos comentam que ele é uma pessoa extremamente calculista, extremamente detalhista e de pouca conversa, o que nos aproxima de um perfil psicopático. Também dizem que ele é corajoso. Sempre que tinha um boi muito bravo, um cavalo muito bravo, a única pessoa da região que dominava esses animais era ele", explica a delegada Anarda Pinheiro Araújo, que acompanha o caso.

