Suspeito interferiu para impedir que multas cometidas por um familiar fossem emitidas e inseridas no sistema, coagindo agente de trânsito
O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio da Promotoria de Justiça de Nova Olinda, apresentou denúncias à Justiça contra João Paulo Silva Sampaio e Kedyson Queiroz da Silva, ex-secretário e ex-coordenador do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), respectivamente. Os dois estão presos preventivamente desde a deflagração da operação “Sinal Verde”, em maio de 2019, que investiga diversas irregularidades no órgão.
A peça criminal detalha que os gestores públicos municipais cometeram crimes de peculato-furto, inserção de dados falsos em sistemas de informações, prevaricação, advocacia administrativa e extravio de documentos públicos. “As investigações apuraram diferentes condutas criminosas de favorecimento de terceiros diante das atuações do Demutran, a exemplo de liberação indevida de veículos apreendidos, sem saneamento das irregularidades, destruição de autos de infração e a subtração de veículos apreendidos de dentro do Demutran”, consta nos autos.
Em um dos casos citados na investigação, o ex-secretário e irmão do prefeito, interferiu diretamente para evitar que multas cometidas por um familiar fossem emitidas e inseridas no sistema, inclusive, coagindo agente de trânsito que se recusou a atender ordem manifestamente ilegal de seus superiores.
Outro procedimento relata que um agente de trânsito, que era Coordenador de Transportes do Demutran, procurou o proprietário de uma motocicleta, apreendida por ele com documentação irregular em novembro de 2018, para “comprar” o veículo, alegando que “não compensava pagar as multas”. Após o pagamento de R$ 500 pela moto e subtração do veículo do pátio do Demutran, o agente público suprimiu o termo de remoção dos arquivos do Departamento Municipal de Trânsito, destruindo, portanto, documento público em benefício próprio. A denúncia relata ainda que, em março deste ano, com a investigação avançada, Kedyson Queiroz tentou colocar a moto de volta ao pátio do órgão público, sem êxito, incidindo em fraude processual.
VIA CNEWS
