Casa da Esperança deve R$ 4 milhões em impostos. E, pela lei, a Prefeitura não pode firmar convênio com devedores. Famílias fizeram manifestação em prol da instituição
Para onde vão nossos filhos? É o questionamento dos familiares de 460 pessoas com autismo atendidas pela Casa da Esperança ao se deparar com o imbróglio jurídico entre a entidade e a Prefeitura de Fortaleza. A entidade deve cerca de R$ 4 milhões em impostos para a administração pública e teve um ano para resolver a situação, mas não conseguiu sanar as dívidas. O contrato emergencial se encerra em 28 de dezembro e os atendimentos serão suspensos até que se resolva a situação.
Em reunião com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), após protesto frente ao órgão para a continuação dos atendimentos, nesta sexta feira, 21, pais e pessoas com autismo saíram com duas propostas. A primeira sugestão é referente à regularização fiscal da Casa da Esperança. Situação sabida desde o início de 2017, a entidade quase foi fechada e teve a oportunidade de resolver os problemas, mas, um ano depois, não conseguiu saná-los.
A segunda proposição foi de a casa articular outra instituição para assumir os serviços oferecidos. Ou seja, outra pessoa jurídica assumir as responsabilidades fiscais da entidade. Atualmente, a prestadora de serviço às pessoas autistas é uma das maiores referências da América Latina. Cerca de mil procedimentos são realizados diariamente e 460 pessoas recebem atendimentos multiprofissional num só lugar. Do interior do Estado, assim como de outros lugares do País, vêm dezenas de pacientes.
Enquanto Susy Alves, 35, esperava sentada em frente ao prédio da SMS, no Centro de Fortaleza, para um encontro com representantes da Prefeitura, a 11 quilômetros dali, pacientes e profissionais encerravam as atividades da Casa da Esperança sem a certeza de retorno dos serviços em 2019. Susy é uma das mães com filha beneficiada na casa. Descrente, ela ainda não sabe o que fazer caso novo contrato entre o Município e a entidade não seja renovado.
