Sindicato teme mais demissões depois de projeto de linhas que rodam sem cobradores

Cerca de 15 ônibus ficaram parados na Praça da Estação, no Centro de Fortaleza, na manhã desta segunda-feira, 26, enquanto cobradores e motoristas protestavam contra demissão em massa de trabalhadores. Após o ato, os trabalhadores se dirigiram ao Paço Municipal.
A ação, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintro), não é a primeira deste tipo. Desde agosto a entidade faz paralisações em diferentes terminais, mantendo os veículos parados por uma hora. Nesta terça, 27, a cúpula do sindicato irá se reunir para decidir data de uma greve geral, que deve acontecer ainda em dezembro.
Na Praça da Estação, passageiros precisaram descer dos ônibus parados e seguir para seus destinos a pé, de acordo com testemunhas no local. A manifestação começou às 9 horas. Os motoristas e cobradores carregavam uma faixa pedindo o fim de demissões “abusivas” e utilizavam carros de som para gritar palavras de ordem.
No dia 19 de novembro, há seis dias, uma paralisação no Terminal do Papicu foi realizada. Os trabalhadores criticam projeto-piloto, testado pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), no qual linhas de ônibus circulam sem cobrador, somente recebendo o pagamento da passagem de forma eletrônica (bilhete único, carteira de estudante com crédito ou vale-transporte).
Geraldo Mendes Lucena, diretor social do Sintro, relata que a entidade não recebeu respostas da Prefeitura às reclamações feitas. Ele afirma que já foram enviados ofícios para a Etufor e pata o Sindiônibus. "Nós não queríamos fazer greve, mas vai ser o jeito. É nossa luta, é o salário do pai de família", diz o diretor.
A categoria realizou uma assembleia na Câmara Municipal, sexta-feira, 23, e conseguiu apoio de sete vereadores. A primeira manifestação pela causa, organizada no Terminal do Siqueira, foi no dia 28 de agosto. Os trabalhadores reclamavam de demissões repentinas e sem explicação dos patrões. O Terminal do Papicu parou por 1 hora no dia 5 de setembro, quando, mesmo após reunião com o sindicato patronal, Sindiônibus, as demissões continuaram a acontecer. Na ocasião, os cobradores denunciaram que eram obrigados a pagar taxas por passageiros que pulam catraca. via:o povo