Pesquisador está próximo à defesa da dissertação de mestrado. Material retirado da serra de Baturité estava no Museu Nacional
Mestrando em arqueologia, o cearense Vinícius Franco perdeu sua pesquisa e consequentemente, parte da História do Ceará, no incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O pesquisador analisava amostras de ossos encontrados na Serra do Evaristo, no Maciço de Baturité, para compreender como nossos antepassados se alimentavam. Vinícius está no segundo ano do Mestrado, próximo ao período para entregar sua dissertação.
"Eu já estava concluindo o processo de análise e não sei ainda o que fazer para obter os resultados", lamentou o cearense, que está no museu, com outros pesquisadores que também sofreram danos. Para o cearense, o incêndio era uma tragédia anunciada, principalmente após o corte de 50% no repasse de verbas federais às instituições de ensino superior da União. O Museu é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O pesquisador analisava os ossos de pessoas que viveram há cerca de 700 anos na serra cearense. Ao todo, eram nove fósseis, três deles humanos. "Um ou dois gramas, ou um pouco mais. Mas é que já não temos tantos ossos", disse. O trabalho de escavação no sítio arqueológico cearense começou há seis anos. "Minhas amostras foram no incêndio", completou Vinícius, que tenta avaliar os danos com a sua orientadora.
Além das ossadas humanas, a história cearense perdeu fósseis de preguiça, Pterodáctilo (réptil voado), cerâmicas e fósseis de peixes, como os que eram estudados pela mestranda cearense em Paleontologia, Thatiany Alencar. Com o incêndio, seu trabalho também está comprometido.
Milhares de peças do arcevo do Museu Nacional foram coletadas no Ceará. Cerca de 95% dos fósseis da Bacia Sedimentar do Araripe estão entre os materiais que podem ter sido perdidos no incêndio, material único, fruto de mais de um século de pesquisa.
Para o paleontólogo Álamo Feitosa, da Universidade Regional do Cariri (Urca), o prejuízo é incalculável. Não apenas pelo material destruído, mas pelo desfecho trágico de objetos e pesquisas que contam a história do país e poderiam colaborar na formação de novos pesquisadores. via ;cnews
