Laurindo Neto foi preso em investigação contra quadrilha especializada em roubo a instituições financeiras e a veículos de transportes de valores. Em 2006, ele foi flagrado pela PF articulando escavação de túnel em duas capitais simultaneamente

Preso em Boa Viagem (a 222 km de Fortaleza), na manhã desta terça-feira, 18, por tráfico de drogas e associação criminosa, Raimundo Laurindo Barbosa Neto, 51, articulou pelo menos três outras ações com modus operandi semelhante ao utilizado para furtar R$ 164,7 milhões do Banco Central (BC), de Fortaleza, em 2005. Depois da passagem pela Capital cearense, ele ganhou projeção e se tornou o principal articulador, mentor, financiador e executor do plano de escavar túneis simultaneamente nas cidades de Porto Alegre e Maceió para chegar a instituições financeiras.
À época, as informações foram reveladas no O POVO pelos jornalistas Cláudio Ribeiro, Demitri Túlio e Luiz Henrique Campos. Eles tiveram acesso, com exclusividade, ao teor de um amplo relatório sobre todo o esquema executado pelo grupo, elaborado por mais de um ano a partir de informações levantadas pela Polícia Federal (PF).Laurindo Neto já havia sido preso em setembro de 2006, em Parnaíba, no Piauí, quase um ano após a invasão ao BC. Ele foi condenado a 170 anos de prisão em 1º grau. Recorrida a 2º grau, a pena foi abrandada em dez vezes, e o cearense foi condenado a 17 anos de prisão em regime fechado. No fim do ano passado, ele recebeu o direito de cumprir o restante da punição em regime domiciliar, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Natural de Boa Viagem, agora ele foi preso na cidade onde nasceu. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), os agentes do Comando Tático Rural (Cotar) cumpriram mandado de prisão decorrente de investigação contra grupo criminoso especializado em roubo a instituições financeiras e a veículos de transportes de valores.
Liderança
Na investigação anterior, quando ele foi encarcerado pela primeira vez, o cearense foi alvo da operação policial denominada “Facção Toupeira”, realizada em 10 estados brasileiros. Os planos de furtos liderados por Laurindo Neto tinham como alvo agências do Banrisul e da Caixa Econômica, em Porto Alegre. Já em Alagoas o trabalho também visava agência bancária. Contudo, o túnel de aproximadamente 100 metros tinha obras atrasadas quando o grupo foi preso.
À época, 56 pessoas tiveram os mandados de prisão expedidos. Eles eram acompanhados pela Polícia Federal desde o roubo ao Banco Central, em Fortaleza. Conforme os relatórios apontavam, o esquema era monitorado após os investigadores terem encontrado cartão telefônico na casa usada como fachada para as escavações na Capital cearense. Com o número de um dos integrantes, todo o esquema foi desbaratado, com autorização da Justiça Federal.