Cheio de hematomas, garoto relembrou a agressão ocorrida em terreno baldio. Corregedoria investiga o caso
Um dia após ser torturado por policiais militares, o adolescente teme por sua vida. Ainda com hematomas, resultado da agressão, o menor conversou com o Cidade 190, e revelou que a família pensa em se mudar, temendo represálias. O caso se tornou público após imagens da violência circularem nas redes sociais.
O menor disse que estava no terreno, usado para colocar animais, correndo atrás de um galo do irmão, para o colocar em um chiqueiro, quando os policiais militares o abordaram. "Acharam coisa e queriam que eu desse conta de quem era", comentou. Algemado, foi deitado no chão. Enquanto um grupo de policiais o torturava, os demais ficaram observando a região, para evitar que terceiros se aproximassem.
O adolescente relatou que desmaiou duas vezes. Enquanto o adolescente agonizava no terreno, a mãe estava do lado de fora, ciente da agressão, e passou mal. Desmaiada, foi amparada por moradores. A família foi socorrida. O menor, inclusive, recebeu atendimento médico, mas já foi liberado. Após o episódio, os dois só pensam em uma coisa: Deixar a Bela Vista. "Quero arranjar outro canto pra morar. Sair dessa favela", comenta o jovem.
De acordo com o coronel Andrade Mendonça, relações públicas da Polícia Militar, os agressores que aparecem nas imagens são realmente agentes de segurança. Entretanto, a conduta não tem amparo da corporação e está sendo apurada. O coronel não respondeu se ações como esta são frequentes em abordagens na periferia.
Em nota, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD), responsável por apurar excessos da Polícia Militar, informou: “A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) já determinou a instauração de procedimento disciplinar para a devida apuração dos fatos constantes no vídeo que circula nas redes sociais”. via: cnews