quinta-feira, 19 de julho de 2018

OAB cria comissão para acompanhar investigações em Caucaia

Dois advogados foram assassinados em menos de um mês. Profissional pede que as investigações dos crimes sejam federalizadas


Em oito dias, dois advogados mortos. Jorge Rocha Bezerra e Francisco Erivaldo Rodrigues moravam e atuavam em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. Especialistas na área criminal, eram conhecidos e queridos por todas e todos. Os dois tiveram suas vidas interrompidas em uma trama ainda misteriosa. Os crimes ainda não tiveram nenhuma resposta e a Ordem dos Advogados do Brasil secção Ceará (OAB-CE), decidiu criar uma comissão especial para acompanhar os desdobramentos do caso. 

Segundo o presidente da Comissão de Direito Penitenciário da OAB-CE, Márcio Albuquerque, o Estado do Ceará precisa dar uma resposta à categoria e para a socidade sobre os dois casos. 

"A classe está temerosa. O medo sentido pelo simples fato de viver no Ceará é agora potencializado pela condição de advogado, caríssima ao Estado Democrático de Direito", comentou o advogado Leandro Vasquez, que pede a federalização das investigações sobre crimes contra a categoria. "A questão não é que a vida de um advogado valha mais que a de outras pessoas, assim como a vida de um servidor público federal morto no exercício de suas funções não tem valor diferenciado. A razão de ser da competência federal reside na defesa das liberdades, do Estado Democrático de Direito e da estabilidade federativa das instituições, na esteira, inclusive da federalização de crimes contra os direitos humanos", completou. 

Esta semana, áudios compartilhados em grupos no WhatsApp revelavam conversas entre profissionais do Direito. Os profissionais questionavam uma possível causa para os crimes: envolvimento com organizações criminosas. Segundo uma das conversas, os advogados estavam trabalhando para grupos rivais simultaneamente, o que foi considerado uma traição. A Polícia Civil, oficialmente, não confirma o fato. Porém, fontes extraoficiais afirmam que a hipótese não foi descartada. 

Relembre
O primeiro caso aconteceu no dia 10 de julho deste ano. O advogado e ex- vereador Francisco Erivaldo foi baleado enquanto estava no escritório dele, na rua Félix Gomes Silva. Segundo a polícia, o atirador efetuou disparos ainda de dentro de um veículo. Em seguida desceu e terminou o serviço. O caso gerou revolta entre amigos e vizinhos.

Oito dias depois foi a vez do colega de profissão de Erivaldo, o advogado criminalista Renato Jorge Rocha Bezerra. Ele foi encontrado no bairro Parque Soledade, com marcas de tiros e provável tortura. A vítima estava algemada. A Polícia supõe que antes de ser morto, o advogado tenha sido raptado.fonte: portal Cnews

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